quarta-feira, 18 de julho de 2012
O que mais me deixa triste olhando pra trás, foi ter formatado o meu computador centenas de vezes. É que eu sempre fui irresponsável e nunca me liguei muito em organizar meus arquivos no computador, aí no meio dessas formatações não sobrou uma foto nossa pra contar história. Tá fazendo uma madrugada bem fria hoje, e eu sei que você, como um paulista insuportável ia me dizer que 14º não é frio. E eu como uma boa carioca ia mandar você ficar sem camisa ou à merda mesmo. Eu comecei com esse papo de frio porque eu acho que alguém lá em cima resolveu pegar pesado comigo hoje e me meteu sozinha numa madrugada com a sensação térmica do inverno da Finlândia, e pra completar, em plena quarta-feira de mais pleno silêncio e solidão. E com uma programação que parece ter passado por uma seleta peneira nos aterros sanitários cinematográficos mundiais. Normalmente, eu adoraria essa situação (tirando a programação horrível e adicionando alguns graus à temperatura), mas hoje, a playlist aleatória da minha cabeça emperrou em você. E o momento presente representa o ápice da nostalgia, onde eu me encontro escrevendo sobre você e ouvindo Bon Jovi. São efeitos, que mesmo após quase 4 anos de distanciamento, só você pode causar em mim. Tá, tenho que admitir que isso tudo não surgiu de um Big Bang mental, a verdade é que uma amiga anda completamente desnorteada poque acabou de terminar com um cara que ela amava (ama) muito. E aí, eu lembrei de mim daquela vez que você terminou comigo, de mim andando feito um zumbi pelos cantos, tentando seguir em frente andando de costas, chorando no colégio e, por fim, faltando à minha prova final pra ouvir você terminar comigo olhando pra mim. Você tava me esperando quando eu cheguei no prédio da Lô e me abraçou, e eu fiquei o dia todo com a cabeça deitada no seu colo e você ficava beijando a minha barriga falando que um dia ela ia carregar nossos filhos. E aí vieram todas as outras milhares de coisas lindas e bregas que a gente fez e que me deixavam tão boba. Como a vez em que você se ajoelhou na frente da minha mãe no metrô e me deu aquela medalhinha. E das nossas despedidas que se multiplicaram depois que você se mudou. É engraçado como eu não lembro de nenhuma delas com tristeza, aliás, elas são algumas das lembranças mais bonitas que eu tenho da gente. Eu sei que isso tá tudo meio desordenado, mas dessa vez eu não tô ligando. Meu problema com escrever é esse, eu sou sempre muito rígida e nunca publico um texto se eu acho que ele é bobo, superficial, clichê ou banal (talvez por isso eu só tenha publicado dois das centenas que escrevi), mas essa sou eu quando se trata de você. Eu ainda tenho quinze anos, quero casar com você, ter uma filha com o nome da sua madrinha e rezo todas as noites pra gente dar certo. E você ainda me liga todo dia pra dar bom dia, escreve músicas pra mim e tem minha foto de plano de fundo até das paredes do seu quarto. E esse texto é só pra nós dois, não pra esses dois sem tempo pra nada e que se falam a cada semestre pra perguntar sobre trivialidades. Esse texto é para aqueles dois que não conseguiam passar um dia sem se falar e que não precisavam perguntar sobre nada, porque eles se conheciam. Na verdade, é também pra eu ter algum registro desse sentimento pro caso dele se perder na imensidão da vida. Pra eu lembrar que um dia eu já vi filmes água-com-açúcar sem fazer cara de bosta, porque aquilo fazia parte da minha realidade. Pra eu lembrar nas vezes que eu quiser reclamar da vida que eu tenho um débito muito grande com ela, porque eu vivi algo que a maioria das pessoas vive três vidas sem nem se aproximar de ter e porque eu vivi isso ainda na adolescência. E não me importa que tentem minimizar o valor de tudo que a gente viveu porque a gente era "criança", por esses, eu apenas lamento que não saibam reconhecer a beleza de uma história como a nossa. Que sempre foi muito nossa. Que nunca precisou de uma vitrine pra ser exposta. Que como algo de valor, sempre ficou bem guardada. Mas é que eu vi tanta coisa feia nesse tempo em que eu saí do nosso céu, que eu senti muita vontade de dizer que coisas bonitas realmente existem. E que acontecem para pessoas sem nada de especial, numa noite sem graça de setembro, quando você sai de casa disposto a mudar alguma coisa na sua vida. Pensando bem, as formatações do computador nem são um problema tão grande assim. A verdade é que tudo que a gente viveu fica sempre numa pasta na minha área de trabalho mental, e tá salvo em codinome, daí vez por outra eu abro pra ver o que é e ela acontece toda de novo e dá ânimo à madrugadas que pareciam perdidas.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário